terça-feira, 17 de novembro de 2009

Vitimas de um Poema desidratado

A ti confesso que tenho vivido,

Lúdico, abatido, nu diante de uma única certeza,

O retorno cíclico do tempo,

É uma extravagância da criação.



Pelo que posso restabelecer com sentido,

Uma inocência viril, um processo inexistente,

Nas etapas mais radicais de minha vida,

Sofre o poeta, pobre ser indivisível.



Agora que se trata de um afeto, me sinto um homem comum,

Só e sem razão, com raízes na terra,

Um vegetal, uma alcachofra, talvez uma cebola,

Não mais um elemento da obscuridade,



A rogar aos animais metáforas patéticas,

Rimas de primavera semeadas no solo infértil!

O homem invisível que existe em nós está chamando,

E, clamando, vai resistindo as atribulações do cotidiano.



Uma vez mais o senho das possibilidades lhe é negada,

O ego opressor das virtudes é o seu inconsciente,

Uma estrutura geométrica que beira a poesia,

A ruptura que revela o bastião onde me vejo