A ti confesso que tenho vivido,
Lúdico, abatido, nu diante de uma única certeza,
O retorno cíclico do tempo,
É uma extravagância da criação.
Pelo que posso restabelecer com sentido,
Uma inocência viril, um processo inexistente,
Nas etapas mais radicais de minha vida,
Sofre o poeta, pobre ser indivisível.
Agora que se trata de um afeto, me sinto um homem comum,
Só e sem razão, com raízes na terra,
Um vegetal, uma alcachofra, talvez uma cebola,
Não mais um elemento da obscuridade,
A rogar aos animais metáforas patéticas,
Rimas de primavera semeadas no solo infértil!
O homem invisível que existe em nós está chamando,
E, clamando, vai resistindo as atribulações do cotidiano.
Uma vez mais o senho das possibilidades lhe é negada,
O ego opressor das virtudes é o seu inconsciente,
Uma estrutura geométrica que beira a poesia,
A ruptura que revela o bastião onde me vejo
terça-feira, 17 de novembro de 2009
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